23 de ago de 2011

Décimo segundo dia - Quer ser escritor? - Lucy Rangel





Se até para fazer bolo existem várias receitas diferentes, não seria para ser escritor que teria uma fórmula única. Porém, como muita gente me pede dicas, e aproveitando o convite da querida Nathi para fazer um artigo para o Nathi e seus livros, resolvi escrever sobre alguns dos passos que considero essenciais para quem tem vontade de ser um autor.

1-      Antes de ser escritor, seja um bom leitor. Leia muito, conteúdos de qualidade. E quando digo “qualidade”, não falo de se limitar a clássicos, mas de ler coisas bem escritas. Não se limite, por exemplo, a leitura apenas de fanfics publicadas na internet. Não que não existam (muitas) de qualidade, mas boa parte é literalmente escrita de qualquer jeito, com vocabulários próprios (sabe o “miguxês” e afins? Pois é) e abarrotadas de erros.
2-      Pratique muito, e sempre! Como tudo na vida, escrever é algo que requer prática. Escreva, escreva e escreva, pegue o hábito de sempre passar as ideias para o papel ou computador.
3-      Pare, pense e pesquise. Escrever é uma arte e, como tal, vai bem além de vomitar palavras. Pesquise sobre o tema que você vai escrever, sobre os cenários e características dos personagens, tais como profissão, nacionalidade, religião... Não que você deva escrever uma enciclopédia contando absolutamente tudo sobre cada uma dessas coisas, mas, ainda assim, é necessário tem um bom entendimento sobre os temas, para não deixar furos.
4-      Sim, os personagens tem características diferentes. As pessoas não são iguais, certo? Seus personagens também não devem ser. Tenha em mente as personalidades de cada um deles, para não cair em contradição. Nada de, por exemplo, no início dizer que o cara é super calado, e, páginas depois, colocá-lo fazendo discursos inacabáveis. Alguns escritores gostam de, antes de começar a escrever, fazer uma ficha detalhada de cada personagem. Eu não costumo usar esse método, mas acho que ele pode ser bem útil quando se tem alguma dificuldade na construção do “elenco” de uma história.
5-      Fuja de personagens “Mary Sue”. Pode ser bem divertido usar personagens com características em comum com você (ou com amigos seus. Confesso que faço muito isso), mas nada de se colocar 100% na história. Tem livros em que o protagonista mora na mesma cidade, tem a mesma profissão, a mesma estrutura familiar, as mesmas ideias que o autor. Gente, não dá! Livro de ficção não é autobiografia! Sem contar que isso, muitas vezes, mostra que o autor ainda não tem maturidade literária para sentir o personagem, mesmo ele sendo diferente ou completamente oposto de si. E esta mesma falta de maturidade faz com que, mesmo o protagonista, fique raso o suficiente para não ser sentido pelo leitor.
6-      Aprenda com os erros. Já diz o velho ditado: “errar é humano”. Todos cometemos erros, desde o autor iniciante até o mais conceituado. É exatamente por isso que a figura do revisor é tão importante. Porém, não só de um bom revisor vive um autor. Vamos combinar que um sujeito que escreve pérolas como “menas” e “seje” não vai muito longe em sua carreira. É super chato quando alguém nos corrige, mas é preciso aprender a tirar proveito disso. Preste atenção em seus erros, para não cometê-los novamente. Afinal, como diria a continuação do já citado ditado: “insistir no erro é burrice!”
7-      Não confie no Word. Ele às vezes se engana, e nos engana junto! Porém, isso faz com que ele seja um grande aliado daquele autor que se empenha em estar sempre melhorando. O bendito editor de texto marcou uma palavra? Não corrija de imediato: antes, pense! Viu que você realmente errou? Aí sim, corrija. Acha que está certo? Não, não conte vitória e deixe de corrigir: pesquise! Tenha sempre um dicionário e uma boa gramática (atualizada) por perto, e use-os sempre que tiver alguma dúvida ou algum conflito de opiniões gramaticais com algum leitor, com seu revisor, ou mesmo com o editor de texto. Lembre-se: entre achar que sabe e saber existe um abismo de diferença.
8-      “Vou escrever um livro, ser contratado por uma editora e ficar rico!” Desista AGORA! As chances de você ficar rico, no Brasil, escrevendo um livro são proporcionais a ganhar o prêmio acumulado da mega-sena. A não ser que você já tenha um sobrenome famoso ou seja alguma celebridade instantânea, o seu início será bem parecido com o de todo escritor: gastos, gastos e mais gastos. Sinta-se muito feliz se conseguir ter vendas suficientes para cobrir todo esse prejuízo inicial. É claro que, com uma combinação de talento e muito trabalho (e só uma dessas características não conta, é preciso a combinação delas), você pode conseguir o seu lugar ao sol, mas daí a ficar rico é bem diferente. Pense em todos os escritores vivos, brasileiros e bem sucedidos que você conhece (aposto que deu pra contar nos dedos). Agora leve em consideração que todos eles tem outras atividades, não vivem apenas da vendas de livros. Muitos são jornalistas, tem colunas em jornais... alguns até trabalham na tevê! Quer ser escritor? Faça isso por amor, porque se focar o lucro, desistirá muito rápido.
9-      Não tenha preguiça de reler o que escreveu. Por vezes tal prática é maçante, mas é necessária. Releia seu texto várias vezes. Verá que sempre existe algo a ser corrigido, lapidado, reorganizado ou mesmo excluído. Quando achar que está bom, dê um tempo, dedique-se a outras atividades e depois volte a reler.
10-  Apesar de ter lido tudo isso... Não desista! Se é esse o seu sonho, vá em frente! Afinal, toda realização exige um bocado de esforço e dedicação, não é mesmo? =)

Espero que tenham gostado do artigo escrito às pressas. Agradeço demais a fofa da Nathi pelo convite, e desejo-lhe parabéns pelo aniversário do blog. =)


7 comentários:

  1. Olá Nathi.
    Adorei as dicas, e se me permite, acrescento uma do Stephen King: Vá direto ao ponto, sem muitos rodeios.
    Ah! Escrever não é fácil. Nós dois sabemos disso, hem? Além do bloginho que eu mantenho às vezes me meto a escrever contos e desenvolver ideias para futuros livros. Eu disse futuro pois sempre que estou inspirado começo e não termino. Um erro, pois a inspiração sai pela janela e eu fico a ver navios.
    Pretendo terminar um conto e publicar no blog.
    Abraços.

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  2. Adorei todas as dicas!
    Apesar do que muitos pensam, escrever é muito difícil e requer muito do escritor. Não é apenas inspiração, como muita gente acredita ser.

    Além disso, a primeira dica é fundamental: "Antes de ser escritor, seja um bom leitor."

    Adorei o post =)

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  3. Oi Nathi!
    Gostei muito das dicas, realmente não é fácil ser um bom escritor no Brasil; ainda há muitas barreiras, só mesmo o amor pela arte vence e da forças para continuar.

    Beijos!!!

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  4. Dicas muito boas! E como vimos em maioria dos posts de comemoração, um dos fundamentais e principais requisitos para escrever é ler!

    Muito bom mesmo! Curti muito as dicas da Lucy Rangel!
    Acho que vou seguí-las e quem sabe um dia não me torno escritora? =)

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  5. A melhor dica realmente é ser um bom leitor.

    Principalmente quando está iniciando sua carreira de escritor, deve-se ler bastante. Não só para adquirir conhecimento, mas para tornar-se íntimo das palavras, como saber usá-las. Quais tipos de sentenças darão o efeito que você pretende para aquela cena. Além disso, fará com que veja estilos parecidos com o seu e perceba como é feito de forma sutil o enriquecimento do livro.

    Discordo do amigo acima que citou Stephen King. Para algumas ocasiões é necessário sim ir direto ao ponto. Entretanto, para se fazer livros densos e de qualidade indubitável, estes devem ser feitos como o almoço de domingo em família, de forma lenta, apreciando os cheiros, os gostos, as conversas... uma boa trama nunca vai direto ao ponto! Ela sempre envolve o leitor e, ainda antes de chegar ao clímax, muda de direção para supreender o leitor, e só então ocorre o desfecho.

    Um dica que dou para todos é a seguinte:

    Ao ter uma idéia sobre um livro, pare tudo. Anote. Rabisque. Rasure. Vomite toda a fagulha em papel ou computador. Nao seja meticuloso, é somente um esboço. Após finalizado, respire. Imagine o começo do livro, e então imagine o final. Trace em um papel uma linha do tempo e comece por aí. No meio desta linha do tempo, vá colocando os acontecimentos chaves em ordem. Sem especificar muito. Somente algo que lembre da história. Quando der por si, terá todo o esqueleto de sua história montado. Então é só arregaçar as mangas e iniciar o trabalho. Leia e releia o texto. Pincele dando cor à estória. Seja minuncioso. Descreva as montanhas se achar necessário. Descreva o floco de neve se assim desejar. Mas faça-o de forma magnífica e não somente para ocupar a página.

    Espero ter ajudado.

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  6. A dica que eu dou é que não precisa vc sair por ai lendo tudo quanto é porcaria que aparece na sua frente. Seja leitor apenas de coisas úteis e interessantes para vc e seu trabalho. Não vá nessa de ler de tudo ou vc perderá seu próprio estilo de uma eventual escrita.

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